Então é Natal


Então, é Natal!

A Arvore de Natal já saiu da caixa, entramos no clima, sopramos a poeira acumulada, afinal lá se foi um ano, procuramos ansiosos pelo nosso enfeite favorito, colocamos músicas Natalinas para montar nossa arvore, espalhamos cheiros de especiarias pela casa. Isso nos ajuda a entrar no clima do Natal.

Penduramos o enfeite na nossa porta de entrada, assim nos unimos simbolicamente aos nossos vizinhos em um espirito de solidariedade e amor ao próximo. Avisamos que nessa casa, estamos felizes com eles.

Saímos freneticamente a procura de presentes, enfrentamos as filas dos supermercados irritados, mas felizes. É um dia marcado para ser comemorado. Fazemos a lista do amigo secreto, que alguns amam e outros detestam, mas acabam cedendo porque enfim é Natal.

E eis que chega o grande dia. Mesa de Natal vestida para festa. Presentes com laços coloridos embaixo da árvore de Natal, cartões com desejos de paz e esperança, a roupa em cima da cama esperando o momento de ser colocada, unhas feitas com antecedência, rosto barbeado e cheiroso, mensagens que chegam no celular comemorando o dia que antecede o renascimento da vida. Umas nos emocionam, outras são automáticas. Todas são bem-vindas, afinal é Natal.

Chegam os primos, os tios, os amigos, e vai se formando uma grande família. Estamos com saudades de abraços demorados, beijos estalados, fortes, o olho no olho que nos traz a emoção de amar e ser amado. Estamos no clima, então é Natal.

Nós voltamos para mesa de Natal, que já está repleta de comidas gostosas, comidas favoritas, comidas recheadas de amor, comidas de família, comidas demoradas, comidas rápidas, comidas doces, comidas salgadas, comidas festivas. Como temos comida! Sim todo ano se repetem exatamente as mesmas preparações, os mesmos rituais, somos culturais.

Porque então, quando falamos dessa mesa preparada com tanto amor, com tanto carinho com tanta memória afetiva, precisamos nos referir a comilança e culpa?

O que faz a comida de Natal ser tão importante, é a história que cada uma carrega no seu cheiro, no seu preparo, na sua mistura.

Não, você não precisa comer de tudo, você não precisa provar tudo, você não precisa comer até passar mal, afinal de contas é Natal. O que faz o Natal ser diferente não é a comida, é tudo e são todos. A comida é só um dos detalhes entre tantos outros que fazem a noite de Natal ser especial e inesquecível.

Afaste-se um pouco, analise o ambiente ao seu redor, escute as risadas, as conversas, sinta os cheiros, o choro, se dê a chance de fazer diferente, de se respeitar, de se (re)conhecer. Perceba o quanto você é merecedor de estar ali, a comida é somente mais uma comida gostosa, entre tantas outras que você poderá saborear o ano inteiro.

Pratique o milagre do Natal em você, o milagre está dentro de você, e não na mesa de Natal. Respeite sua fome e sua saciedade, prove tudo até se sentir confortável, depois disso decida que as comidas gostosas que você não conseguiu provar, se você vai guardar em um tupperware (leve sempre um com você em festas de família), ou se você vai pedir a receita, ou perguntar onde foi comprado.

Não terá exagero. Está decidido, este ano o exagero será somente com risadas, abraços e afagos. A comida você pode ter o ano inteiro, a arvore de Natal não. Ela você só monta uma vez por ano, assim prega a tradição. Culpa? Somente pelas declarações de amor que você não fez. Se fez todas, partiu, ano novo!

Feliz Natal!

Iamara Seara

CRN 5813


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